País
Autarca do Porto acusa manifestantes de "atitude absolutamente provocatória" e defende polícia
O presidente da Câmara do Porto afirmou esta quinta-feira que os manifestantes envolvidos durante a madrugada em confrontos com a polícia apresentaram uma "atitude absolutamente provocatória".
Pedro Duarte assegurou que a intervenção policial "foi um último recurso" e que a PSP se viu "forçada" a avançar sobre os participantes.
“Uma coisa é o direito à manifestação, o direito até ao protesto. Outra, bastante distinta, é o desrespeito e o incumprimento, designadamente quando ele é ostensivo, da lei”, afirmou o presidente da Câmara em conferência de imprensa.
“Quando isso sucede, é responsabilidade, obrigação e dever das autoridades (…) zelas pelo respeito pela mesma lei, em benefício da liberdade de todos”, acrescentou.
Pedro Duarte disse lamentar “profundamente que a polícia se tenha visto forçada a intervir daquela forma” e acredita que “não há nenhum portuense que se reveja naquelas imagens”.
“Parece-me absolutamente claro que a polícia se viu forçada a fazê-lo. Não tenho dúvidas quanto a isso”, frisou. “Eu confio absolutamente nas nossas autoridades policiais”.
“Havia alguém naquela manifestação que estava a zelar pelo cumprimento da lei. E havia quem estivesse (…) ostensivamente, deliberadamente a incumprir a lei”.
Segundo o autarca, “houve uma atitude absolutamente provocatória, porque evidentemente que aquilo que se passou do ponto de vista da intervenção policial foi um último recurso, depois de dias e horas de tentativa de resolvermos tudo de uma forma diferente”.
E lançou um apelo: “manifestem-se, é positivo, é bom para a sociedade, façam ouvir a vossa voz, mas façam-no no estrito cumprimento da lei”.
“Quando isso sucede, é responsabilidade, obrigação e dever das autoridades (…) zelas pelo respeito pela mesma lei, em benefício da liberdade de todos”, acrescentou.
Pedro Duarte disse lamentar “profundamente que a polícia se tenha visto forçada a intervir daquela forma” e acredita que “não há nenhum portuense que se reveja naquelas imagens”.
“Parece-me absolutamente claro que a polícia se viu forçada a fazê-lo. Não tenho dúvidas quanto a isso”, frisou. “Eu confio absolutamente nas nossas autoridades policiais”.
“Havia alguém naquela manifestação que estava a zelar pelo cumprimento da lei. E havia quem estivesse (…) ostensivamente, deliberadamente a incumprir a lei”.
Segundo o autarca, “houve uma atitude absolutamente provocatória, porque evidentemente que aquilo que se passou do ponto de vista da intervenção policial foi um último recurso, depois de dias e horas de tentativa de resolvermos tudo de uma forma diferente”.
E lançou um apelo: “manifestem-se, é positivo, é bom para a sociedade, façam ouvir a vossa voz, mas façam-no no estrito cumprimento da lei”.
Pedro Duarte considerou a causa erguida pelos manifestantes “legítima e justa”, afirmando que “a crise da habitação é uma realidade em todo o país” e “também no Porto nós sabemos que há preços que tornam particularmente difícil o acesso à habitação”.
Sobre nova concentração convocada para hoje, garantiu que "se a manifestação estiver dentro do quadro legal" não será feito "rigorosamente nada".
Questionado sobre se a polícia agiu na sequência das declarações que proferiu na quarta-feira, sobre atuação "absolutamente implacável", preferiu não ligar as duas coisas.
Questionado sobre se a polícia agiu na sequência das declarações que proferiu na quarta-feira, sobre atuação "absolutamente implacável", preferiu não ligar as duas coisas.
O advogado dos manifestantes reagiu às declarações do presidente da Câmara, dizendo à RTP que “se incumprir a lei dá direito à polícia de carregar como carregou, estamos muito mal”.
Tiago Machado adiantou ainda que está a recolher dados de identificação dos manifestantes “atingidos na sua integridade física por esta carga policial e, mediante a recolha desses dados, iremos agir judicialmente”.
Tiago Machado adiantou ainda que está a recolher dados de identificação dos manifestantes “atingidos na sua integridade física por esta carga policial e, mediante a recolha desses dados, iremos agir judicialmente”.
Hospital de Santo António admitiu sete feridos
Esta quinta-feira, o Movimento pela Habitação referiu 37 feridos entre os manifestantes, dos quais dois “reportaram estar em estado grave”, apresentando “feridas mais profundas, hematomas, lesões ou cortes profundos”.
O Hospital de Santo António disse entretanto ter admitido, durante a madrugada, sete cidadãos feridos, “alegadamente em incidentes na Praça D. João I, no Porto”.
“Cinco apresentaram ferimentos ou hematomas ligeiros. Um homem apresentou um hematoma epicraniano, com TAC crânio-encefálica normal. Uma mulher apresentou uma fratura da região distal do rádio”, adiantou, em comunicado, o diretor clínico hospitalar, José Barros.
O Hospital de Santo António disse entretanto ter admitido, durante a madrugada, sete cidadãos feridos, “alegadamente em incidentes na Praça D. João I, no Porto”.
“Cinco apresentaram ferimentos ou hematomas ligeiros. Um homem apresentou um hematoma epicraniano, com TAC crânio-encefálica normal. Uma mulher apresentou uma fratura da região distal do rádio”, adiantou, em comunicado, o diretor clínico hospitalar, José Barros.
Vereadores do PS no Porto lamentam violência "desproporcional"
As reações políticas à operação policial não se fizeram esperar. Os vereadores do Partido Socialista na Câmara do Porto lamentaram a "violência desproporcional usada contra uma manifestação pacífica" e anunciaram ter enviado uma participação à Provedoria da Justiça.
Os socialistas exigiam que as autoridades policiais esclarecessem as motivações “de uma operação realizada a meio da noite que, sem adequada justificação aparente, pôs em risco a integridade física dos manifestantes e dos agentes policiais envolvidos".
"Nos termos em que foi realizada, esta operação atenta contra o espírito de defesa da liberdade que sempre caracterizou o Porto e não parece consentânea com os valores do Estado de Direito", acrescentam.
Os vereadores do PS pedem ainda "sindicância aos procedimentos adotados", bem como a preparação e a forma da intervenção policial.Perguntas ao MAI
Depois dos acontecimentos da última noite, o Bloco de Esquerda enviou várias perguntas ao Ministério da Administração Interna a questionar a intervenção da PSP. José Soeiro, dirigente do partido, esteve entre os manifestantes esta noite e lamentou o comportamento das autoridades e do presidente da Câmara Municipal do Porto.
Para o responsável bloquista, as declarações recentes de Pedro Duarte foram "agressivas e violentas" e, questionado pela RTP Antena 1 sobre se contribuíram para a forma como a PSP interveio, Soeiro considera que "não é uma questão de acreditar, creio que todos terão ouvido as ameaças de Pedro Duarte de que iria atacar de forma implacável o direito pacífico de manifestação que estava a ser exercido".
Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1
O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda submeteu entretanto à Assembleia Municipal do Porto um conjunto de perguntas, nomeadamente sobre quem solicitou a intervenção da PSP na manifestação e com que fundamento.Também o Livre pediu esclarecimentos ao Ministro da Administração Interna sobre o que chama de “violenta carga policial”.
“O Livre repudia a brutalidade policial usada sobre uma manifestação pacífica. Os acontecimentos a que assistimos não podem existir num país democrático, ainda por cima, num momento em que tantas pessoas atravessam enormes dificuldades face à subida do custo de vida, aos preços exorbitantes e às rendas avassaladoras e perante a insensibilidade de um Governo incapaz”, refere o partido em comunicado enviado às redações.PCP quer ver apuradas responsabilidades políticas
“A forma como as forças policiais intervieram é desproporcional e incompreensível, a exigir um cabal apuramento, incluindo responsabilidades políticas”, refere o PCP em comunicado.
As reações políticas à operação policial não se fizeram esperar. Os vereadores do Partido Socialista na Câmara do Porto lamentaram a "violência desproporcional usada contra uma manifestação pacífica" e anunciaram ter enviado uma participação à Provedoria da Justiça.
Os socialistas exigiam que as autoridades policiais esclarecessem as motivações “de uma operação realizada a meio da noite que, sem adequada justificação aparente, pôs em risco a integridade física dos manifestantes e dos agentes policiais envolvidos".
"Nos termos em que foi realizada, esta operação atenta contra o espírito de defesa da liberdade que sempre caracterizou o Porto e não parece consentânea com os valores do Estado de Direito", acrescentam.
Os vereadores do PS pedem ainda "sindicância aos procedimentos adotados", bem como a preparação e a forma da intervenção policial.Perguntas ao MAI
Depois dos acontecimentos da última noite, o Bloco de Esquerda enviou várias perguntas ao Ministério da Administração Interna a questionar a intervenção da PSP. José Soeiro, dirigente do partido, esteve entre os manifestantes esta noite e lamentou o comportamento das autoridades e do presidente da Câmara Municipal do Porto.
Para o responsável bloquista, as declarações recentes de Pedro Duarte foram "agressivas e violentas" e, questionado pela RTP Antena 1 sobre se contribuíram para a forma como a PSP interveio, Soeiro considera que "não é uma questão de acreditar, creio que todos terão ouvido as ameaças de Pedro Duarte de que iria atacar de forma implacável o direito pacífico de manifestação que estava a ser exercido".
Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1
O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda submeteu entretanto à Assembleia Municipal do Porto um conjunto de perguntas, nomeadamente sobre quem solicitou a intervenção da PSP na manifestação e com que fundamento.Também o Livre pediu esclarecimentos ao Ministro da Administração Interna sobre o que chama de “violenta carga policial”.
“O Livre repudia a brutalidade policial usada sobre uma manifestação pacífica. Os acontecimentos a que assistimos não podem existir num país democrático, ainda por cima, num momento em que tantas pessoas atravessam enormes dificuldades face à subida do custo de vida, aos preços exorbitantes e às rendas avassaladoras e perante a insensibilidade de um Governo incapaz”, refere o partido em comunicado enviado às redações.PCP quer ver apuradas responsabilidades políticas
“A forma como as forças policiais intervieram é desproporcional e incompreensível, a exigir um cabal apuramento, incluindo responsabilidades políticas”, refere o PCP em comunicado.
“O direito de manifestação tem que ser garantido. As declarações do Presidente da Câmara Municipal do Porto e, já hoje, do Primeiro-Ministro não podem deixar de ser vistas como provocatórias e irresponsáveis. O Governo promove a especulação e submete-se aos especuladores. O que se exige são respostas e soluções que garantam o direito à Habitação e não ameaças e recriminações instigadoras”, referem os comunistas.
“Quem luta pelo direito à Habitação não está a expressar egoísmo como acusa o Primeiro-Ministro. Egoísmo, insensibilidade social e submissão aos interesses dos especuladores e do capital financeiro é o que caracteriza a política de Habitação deste Governo”, acrescenta o comunicado, reiterando que a dificuldade de acesso à Habitação é “uma das mais vincadas expressões de políticas antisociais e antipatrióticas deste Governo PSD/CDS, apoiada por CH e IL”.
“A luta contra este Governo e a sua política de desastre é necessária”, refere o PCP, apelando à participação na manifestação convocada pela CGTP, no próximo sábado, na Praça da Batalha.